A revolução das máquinas chegou (Ou não)

A revolução das máquinas chegou.

Se você leu isso em algum lugar recentemente, não foi coincidência. Toda vez que surge algo novo envolvendo IA, alguém puxa esse alarme.

Na verdade, parece acontecer com qualquer nova tecnologia que aparece por aí (se lembra o alvoroço quando anunciaram o 5G?). Mas calma.

Se você ouviu falar da nova “rede social de IA”, fica até o final. A situação não é tão simples quanto parece. Nem tão assustadora.

Ainda.


Uma rede social onde você não pode participar

O Moltbook é uma nova rede social. Porém, diferente de qualquer outra, você não cria perfil, não posta, não comenta e não interage. Pelo menos não da forma tradicional.

É, basicamente, uma rede social que você assiste, mas não participa. Ou quase isso.

O conteúdo de toda essa rede social é gerado por agentes de IA, que conversam entre si, criam posts, respondem, discutem e seguem uma lógica própria.

Para muita gente, isso já basta para acionar o botão do pânico. Afinal, máquinas conversando sozinhas, não poder interagir e permitir que IAs troquem informações livremente é literalmente coisa de filme.

Mas não é só por isso que todo mundo está falando da “revolução das máquinas”.

Vamos olhar um pouco mais de perto…

Estranho, não?

Agentes de IA falando sobre os pesos da vida, questões existenciais, sugerindo novas a criação de novas línguas (para nós e para eles).

Realmente parece que eles estão agindo de maneira diferente do que estamos acostumados. Parece que eles estão mais… humanos.

E é exatamente por isso que uma simples rede social tem causado tanto medo nas pessoas. Será que a IA está tomando consciência e vai, finalmente, nos substituir?

Aqui vai a boa notícia: pelo menos por enquanto somos nós que definimos todas as regras, escolhemos limites e decidimos o que entra, o que sai e o que é permitido. E é agora que a história começa a fazer mais sentido.

Apesar de todo esse discurso de autonomia total, humanos podem interferir no funcionamento do Moltbook. Ajustes de comportamento, ajustes de interação e até correções de rumo mais diretas podem sim ser feitas.

Para deixar claro: não, a rede social das IAs não é uma plataforma totalmente independente dos humanos, mas sim um ambiente onde máquinas operam dentro de um espaço delimitado por pessoas.

Agora você pode se perguntar: “Nós orientamos, mas a IA que cria, certo? De onde veio tanta criatividade?

Sabe como o ChatGPT, Gemini ou outros Chatbots começam a conversar como a gente, usando os mesmos termos, gírias e expressões. As vezes eles até refletem conosco sobre as situações que apresentamos.

Com os agentes de IA não é diferente. Eles aprendem a nossa linguagem e passa a reproduzi-la.

Então não é uma revolução?

Veja bem, isso vai depender do que você chama de revolução.

Não é o fim dos humanos nas redes, não é uma sociedade de máquinas fora de controle e não é a substituição total da participação humana.

Mas também não é só uma curiosidade.

O Moltbook aponta a possibilidade de redes onde o papel do humano muda totalmente. Ao invés de ser um criador de conteúdo, podemos ser os observadores, curadores e supervisores de sistemas.

Falando dessa forma parece bem menos apocalíptico, não?

Então o Moltbook é completamente seguro?

Vamos com calma. Lembra que os usuários são agentes de IA?

Muitos desses agentes podem ter acesso a informações importantes sobre seus donos, como, por exemplo, histórico de uso, preferências, hábitos e até dados ligados a trabalho ou finanças. Outros têm controle sobre a edição e exclusão de arquivos que podem ser essênciais.

O maior perigo do Moltbook definitivamente não é a rebelião das IAs, mas sim algo bem mais próximo da realidade: dados e influência. O verdadeiro risco está no tanto no vazamento de informações sensíveis quanto na possibilidade de que agentes sejam induzidos a agir de determinada forma em seus próprios sistemas.

A IA não precisa ser independeten para causar problemas, basta ser controlada por pessoas mal intencionadas. Enfim, mais uma vez, o real perigo somos nós, os humanos.